O ENSINO MÉDIO NAS ESCOLAS DE VÁRZEA DO MUNICÍPIO DE
SANTARÉM-PA: TRAJETÓRIA E DESDOBRAMENTOS (2014 – 2024)
Ensino Médio. Escola de várzea. Sistema de Organização Modular
de Ensino. Educação na Amazônia.
Este trabalho analisa a configuração do Ensino Médio nas escolas situadas em
áreas de várzea do município de Santarém-PA, entre os anos de 2014 e 2024,
período marcado pela regulamentação e posterior tentativa de revogação do
Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) no estado do Pará. Partindo da
compreensão de que a educação escolar é uma construção histórica e social,
responsável por promover o acesso aos conhecimentos sistematizados, discute-se
como esse direito é assegurado em territórios ribeirinhos caracterizados por
dinâmicas socioambientais singulares, como os ciclos de cheia e vazante dos rios, a
mobilidade fluvial e a dependência de economias tradicionais. O estudo tem como
objetivo compreender historicamente o desenvolvimento do Ensino Médio nesses
contextos, identificando as políticas educacionais que orientaram sua oferta, o
processo de implantação e organização do ensino em regime de colaboração entre
Estado e Município e as condições físicas e pedagógicas que estruturam o trabalho
escolar nessas localidades. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, ancorada
no materialismo histórico-dialético, articulando análise documental, levantamento de
dados educacionais oficiais, legislações federais, estaduais e municipais, além de
relatórios produzidos em projetos institucionais vinculados à UFOPA. A
fundamentação teórica baseia-se em autores que utilizam o materialismo histórico-
dialético, visando interpretar a relação histórica entre política educacional, território e
condições de escolarização. Os resultados evidenciam que o SOME desempenha
papel central para a garantia do acesso ao Ensino Médio nas comunidades
ribeirinhas, possibilitando a permanência dos jovens em seus territórios. Entretanto,
persistem desafios estruturais, como precariedade das instalações físicas,
rotatividade docente, organização curricular fragmentada e fragilidade no
financiamento, que comprometem a qualidade da formação escolar. Conclui-se que
diante do quadro apresentado nesse estudo e considerando as populações
presentes nas áreas afastadas dos centros urbanos –– de planalto, rios e várzea ––
do município, é relevante atentarmos para as inúmeras populações que estão
buscando manter direitos estabelecidos na legislação brasileira, mas negligenciados
pelo Estado paraense. A educação, como foi mencionado neste trabalho, vem
sofrendo investidas das políticas neoliberais que refletem em seu sucateamento e
precarização, a exemplo do que ocorre com o SOME, o qual atende especificamente
as populações localizadas nas regiões periféricas e distantes dos centros urbanos e
que historicamente estão ás margens de seus direitos.