AS CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA VIDA DAS CRIANÇAS QUILOMBOLAS: PERSPECTIVAS DE PROFESSORAS DA COMUNIDADE
Educação Infantil Escolar Quilombola. Criança Quilombola. Professoras Quilombolas. Identidade Cultural. Teoria Histórico-Cultural.
Esta pesquisa tem como objetivo compreender as contribuições da Educação Infantil Escolar Quilombola para a vida das crianças quilombolas, a partir das percepções de professoras que atuam na própria comunidade. O estudo fundamenta-se na Teoria Histórico-Cultural, que concebe o desenvolvimento humano como um processo socialmente mediado, no qual a criança se constitui como sujeito histórico por meio das interações com o outro, com a cultura e com os instrumentos simbólicos produzidos socialmente. Nesse sentido, a Educação Infantil é compreendida não apenas como um espaço de escolarização, mas como um território de produção de sentidos, de fortalecimento identitário e de afirmação cultural. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, ancorada no método materialista histórico-dialético, por entender que os fenômenos educativos são historicamente determinados e atravessados por contradições sociais, culturais e políticas. Como procedimento de produção de dados, utiliza-se a entrevista semiestruturada, realizada com professoras quilombolas que atuam na Educação Infantil em uma escola municipal quilombola localizada no município de Santarém, no estado do Pará. As participantes são docentes moradoras da própria comunidade, o que possibilita uma compreensão mais profunda e situada das relações entre escola, infância, território e cultura. O estudo busca compreender como as professoras significam o papel da pré-escola na vida das crianças de sua comunidade, quais concepções possuem sobre a infância quilombola, quais saberes comunitários mobilizam em suas práticas pedagógicas e de que maneira percebem as contribuições da educação escolar para o desenvolvimento das crianças. Parte-se do entendimento de que as falas das professoras expressam concepções de mundo, de educação e de cultura, produzidas nas relações sociais e nas experiências vividas no território quilombola. A pesquisa também discute a Educação Infantil Escolar Quilombola à luz de seus marcos legais, especialmente a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e a Resolução CNE/CEB nº 8/2012, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola. Esses documentos asseguram o direito das crianças quilombolas a uma educação específica e diferenciada, pautada no respeito à identidade, à cultura, ao território e às práticas socioculturais das comunidades. Ao dar centralidade às vozes das professoras quilombolas, o estudo reconhece essas educadoras como sujeitas produtoras de saberes pedagógicos e culturais, cujo trabalho ultrapassa os limites da sala de aula e se articula à luta por reconhecimento, pertencimento e valorização da identidade negra e quilombola. As contribuições atribuídas à pré-escola, segundo a perspectiva das docentes, envolvem não apenas os aspectos cognitivos do desenvolvimento infantil, mas também as dimensões social, cultural, comunitária e identitária da formação das crianças. Espera-se que os resultados desta investigação contribuam para o fortalecimento da Educação Infantil Escolar Quilombola, para a valorização dos saberes comunitários e para a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas, interculturais e comprometidas com a formação humana integral das crianças quilombolas.