ETNOCONHECIMENTO E USO TERAPÊUTICO DE ANIMAIS NA PRODUÇÃO DE REMÉDIOS CASEIROS EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS DA REGIÃO DO BAIXO AMAZONAS
etnoconhecimento; zooterapia; etnozoologia; medicina tradicional; Amazônia.
A presente dissertação de qualificação de mestrado, intitulada “Etnoconhecimento e uso terapêutico de animais na produção de remédios caseiros em Comunidades Quilombolas da Região do Baixo Amazonas” investiga o campo da etnozoologia e da zooterapia nas comunidades de remanescentes de quilombo/mocambo de Arapucu e Muratubinha, situadas no município de Óbidos (PA). O estudo parte da premissa de que o etnoconhecimento, que é um conjunto de saberes, práticas e crenças transmitidos intergeracionalmente, é um elemento central na organização das práticas de saúde em contextos tradicionais amazônicos, especialmente onde o acesso a serviços biomédicos formais é limitado. Adotamos como questão científica a indagação sobre como o etnoconhecimento associado ao uso terapêutico de derivados de animais se manifesta na produção de remédios caseiros em comunidades quilombolas de Óbidos (PA)? Essa questão nos provoca a alcançar objetivos importantes que incluem o mapeamento das espécies animais utilizadas; a descrição dos modos de preparo e aplicação desses remédios; a análise dos significados culturais e simbólicos atribuídos a tais recursos; a averiguação dos processos de transmissão intergeracional desses saberes; e a avaliação da relevância dessas práticas para a manutenção da saúde comunitária e a valorização da identidade quilombola. Para realizar a pesquisa em campo, adotamos como procedimento metodológico uma abordagem qualitativa. As técnicas de coleta de dados combinam entrevistas semiestruturadas, baseadas na história oral para captar narrativas e percepções individuais e coletivas, com a observação participante, que possibilita o registro minucioso dos modos de fazer tradicionais. A seleção dos colaboradores será realizada por meio da técnica de amostragem em "bola de neve" (snowball), garantindo a identificação de detentores de saberes a partir das redes de indicação comunitária. Para a análise, os dados serão organizados em categorias temáticas e submetidos ao cálculo do Valor de Uso (UV) das espécies. Como resultados esperados, a pesquisa visa contribuir para a documentação e valorização do patrimônio cultural quilombola, oferecendo subsídios para a construção de alternativas de saúde comunitária e fomentando um diálogo efetivo entre o conhecimento tradicional e o científico. Espera-se, ainda, que os dados coletados sirvam de base para políticas públicas que respeitem o território, a autonomia e as estratégias tradicionais de cuidado, promovendo, concomitantemente, reflexões sobre a conservação da biodiversidade na região amazônica.