UMA PROPOSTA DE ENGENHARIA REVERSA DA TERRA PRETA ANTROPOGÊNICA:PRODUÇÃO DE BIOCHAR DE CAROÇO DE AÇAÍ E COMPOSTO ORGÂNICO
Amazônia; economia circular; inovação; pirólise.
O presente estudo teve como objetivo propor um composto orgânico enriquecido com biochar, fundamentado em princípios de engenharia reversa da Terra Preta de Índio, como referência para a formulação de materiais com potencial de uso agrícola sustentável na Amazônia. A pesquisa foi desenvolvida na Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, e compreendeu a produção de biochar de caroço de açaí por dois métodos de pirólise, em mufla e em sistema artesanal, seguida de caracterização físico-química em laboratório. Paralelamente, foi conduzido um experimento de compostagem em sistema fechado, utilizando composteiras do tipo balde, com quatro tratamentos formulados a partir de diferentes resíduos orgânicos. Posteriormente, os dados obtidos foram submetidos à análise estatística por meio do teste de Mann-Whitney, análise de variância e teste de Tukey a 5% de significância. Os resultados demonstraram diferenças significativas entre os biochars produzidos, com superioridade do material obtido em mufla quanto à concentração da maior parte dos nutrientes avaliados, apresentando maiores teores de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, cobre, manganês e zinco. Por outro lado, o biochar produzido em sistema artesanal apresentou maiores valores de ferro, pH, condutividade elétrica, carbono orgânico e umidade. Em relação ao composto orgânico, o tratamento T4 apresentou o desempenho mais satisfatório, por reunir maior teor de nitrogênio total e valores mais adequados de pH e relação C/N, evidenciando maior equilíbrio entre os atributos analisados. Além disso, será realizada a segunda etapa da preparação do composto orgânico em sistema aberto, com leiras em escala de campo, a partir do tratamento T4, bem como os testes de funcionalidade do composto em associação com o biochar em mufla e artesanal na cultura da alface, com avaliação de características agronômicas como altura de planta, diâmetro, massa fresca, massa seca e número de folhas, a fim de verificar, em condições mais aplicadas, o potencial agronômico do uso conjunto desses insumos.