Banca de DEFESA: JORGE EMANUEL CORDEIRO ROCHA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JORGE EMANUEL CORDEIRO ROCHA
DATA : 16/03/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Auditório NTB - Campus Tapajós
TÍTULO:

Acidentes por animais peçonhentos na Amazônia: ecologia e epidemiologia.


PALAVRAS-CHAVES:

Ofidismo. Mudanças climáticas. Bothrops. Saúde pública.


PÁGINAS: 95
RESUMO:

Os acidentes causados por animais peçonhentos constituem negligenciado problema de saúde pública na Amazônia, onde dinâmicas ecológicas, variabilidade climática, pobreza, exposição ocupacional e barreiras de acesso aos serviços de saúde interagem na determinação do risco de adoecimento. Esta dissertação investigou a ecologia e a epidemiologia desses acidentes na Amazônia brasileira por meio de escalas analíticas complementares. Em nível regional, analisou-se a incidência de acidentes ofídicos no estado do Pará entre 2007 e 2023, utilizando bases de dados epidemiológicas, ambientais e socioeconômicas oficiais, com abordagens espaciais e temporais. Nesse período, foram registrados 87.267 casos, revelando heterogeneidade espacial e correlações com taxa de população rural, saneamento inadequado, analfabetismo, níveis fluviais, precipitação pluvial e à variabilidade climática relacionada ao El Niño Oscilação Sul. Em nível local, o estudo examinou os acidentes por animais peçonhentos na comunidade quilombola de Cachoeira Porteira, em Oriximiná, por meio de inquéritos domiciliares com 56 moradores e identificação etnozoológica participativa. Os resultados evidenciaram intensa exposição ao longo da vida a múltiplos táxons peçonhentos, especialmente vespas, formigas tucandeiras, escorpiões, serpentes e arraias. Entre os eventos de maior gravidade, foram relatados 24 acidentes ofídicos em 17 indivíduos e 37 acidentes por arraias em 18 indivíduos. Os acidentes ofídicos estiveram predominantemente associados a atividades rurais e extrativistas, enquanto os acidentes por arraias estiveram majoritariamente relacionados à pesca e resultaram em prolongada limitação funcional. O estudo também documentou reconhecimento local das espécies de serpentes e a coexistência de múltiplas denominações populares para os mesmos táxons. Em conjunto, os achados demonstram que os acidentes por animais peçonhentos na Amazônia não podem ser compreendidos apenas como eventos clínicos isolados, mas como desfechos de processos socioecológicos que envolvem uso do território, clima, rotinas de trabalho, exposição ambiental e desigualdades no acesso aos serviços de saúde. A dissertação reforça a necessidade de estratégias de vigilância, prevenção, educação em saúde e distribuição de soros adaptadas às realidades territoriais, especialmente para populações socialmente vulneráveis e geograficamente isoladas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2375795 - ANA CARLA DOS SANTOS GOMES
Externa ao Programa - 1339097 - FERNANDA SOUZA DO NASCIMENTO - nullExterna ao Programa - 2391885 - PRISCILA SAIKOSKI MIORANDO - nullInterno - 2160992 - RAPHAEL PABLO TAPAJOS SILVA
Notícia cadastrada em: 12/03/2026 15:34
SIGAA | SUPERINTENDÊNCIA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO - (00) 0000-0000 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - jboss-sigaa-01.ufopa.edu.br.srv1sigaa