AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE E QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À
SAÚDE DE MULHERES NO PÓS-CIRURGIA ONCO-MAMÁRIA EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA NO
OESTE DO PARÁ
Capacidade Funcional, Qualidade de Vida, Saúde, Câncer de Mama.
O câncer de mama é, entre as neoplasias, com exceção do câncer de pele não melanoma, a principal causa de óbito e a que mais acomete mulheres brasileiras em todas as regiões do país. Ao mesmo tempo, observa-se um aumento nas taxas de sobrevivência entre as mulheres diagnosticadas com essa doença, o que representa um importante motivo de celebração. Entretanto, a exposição ao tratamento oncológico, seja neoadjuvante ou adjuvante, incluindo procedimentos como biópsia do linfonodo sentinela, linfadenectomia axilar e cirurgia conservadora de mama ou mastectomia radical, representa um importante fator de risco para o desenvolvimento de complicações pós-operatórias imediatas ou tardias. Esse cenário, conforme aponta a literatura científica, pode impactar significativamente a funcionalidade e a qualidade de vida relacionada a saúde das mulheres submetidas ao tratamento oncológico do câncer de mama. O objetivo dessa pesquisa foi avaliar a funcionalidade e qualidade de vida relacionada à saúde de mulheres em tratamento do câncer de mama no período pós-cirúrgico oncológico. Trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico, realizado com 88 mulheres a partir de um mês após a cirurgia de tratamento do câncer de mama. O estudo compreende duas fases: a primeira consiste no recrutamento das participantes por telefone, com uma breve explicação sobre os objetivos e benefícios da pesquisa; a segunda corresponde à avaliação presencial realizada no Ambulatório de Fisioterapia do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA). Essa avaliação é composta por quatro etapas concomitantes: (1) apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE); (2) avaliação conduzida pelo pesquisador e seu assistente; (3) aplicação do questionário de função física dos membros superiores (QuickDASH); e (4) aplicação dos questionários de qualidade de vida relacionada à saúde (EORTC QLQ-C30 e BR23). O processo avaliativo ocorreu em um encontro, com consulta aos exames no prontuário e aos documentos apresentados pela participante, geralmente recebidos 20 dias após o procedimento cirúrgico. Verificou-se que o perfil das mulheres avaliadas compreendeu a uma média de idade de 51,92 anos, sendo a maioria parda (71,59%), casada (46,59%) e com renda familiar inferior a 2 salários mínimos (53%). A maior parte residia em Santarém-PA (89,77%), e apresentava alta inatividade física (62%, n=55/88), presença de comorbidades, comportamento de risco e sobrepeso, com média de índice de massa corporal (IMC) de 27,59kg/m2 . Destacou-se ainda elevada prevalência de queixa de dor durante atividades diárias (52%) e com predominância de dor crônica, duração superior a três meses (53%), localizada no braço, mama ou região axilar. O perfil da amostra indica maior exposição ao risco de complicações de curto, médio e longo prazo, uma vez que a maioria das participantes foi submetida à biópsia do linfonodo sentinela, à linfadenectomia axilar (92%) e à radioterapia (60%). As funções físicas apresentaram importantes alterações; força de preensão palmar com assimetria de 47%, escore QuickDASH indicando incapacidade grave em 45% das participantes (escore > 40); e redução da amplitude de movimento, com média de 153° na flexão dos ombros direito e esquerdo e 153° e 151° na abdução do ombro direito e esquerdo, respectivamente. Apenas 53% foram encaminhadas para fisioterapia e 45% realizaram o acompanhamento fisioterapêutico efetivamente. A qualidade de vida global apresentou resultados satisfatórios, entretanto, os demais domínios do questionário de qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) apresentaram diferenças clinicamente relevantes (p<0,05) nos escores de fadiga, imagem corporal, sintomas mamários e do braço. Esses achados sugerem que a QVRS e a funcionalidade podem ser impactadas em diferentes períodos do pós-operatório, repercutindo nas atividades diárias, bem como na vida produtiva e socioeconômica das mulheres com câncer de mama. Além disso, fatores comportamentais, socioeconômicos e clínico-cirúrgicos podem contribuir para maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de complicações durante o tratamento e influenciar negativamente a qualidade de vida e a funcionalidade dessas mulheres.