ASSOCIAÇÃO ENTRE POLIMORFISMOS DO GENE FTO E SÍNDROME METABÓLICA: EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E GENÉTICAS EM DIFERENTES POPULAÇÕES HUMANAS
Síndrome metabólica; mercúrio, Gene FTO, Amazônia
A Síndrome Metabólica (SM) representa um desafio global de saúde, cuja progressão é influenciada por uma complexa interação entre fatores ambientais e genéticos. O gene FTO, especialmente a variante rs9939609, tem sido associado à obesidade e a complicações metabólicas, sendo o alelo A considerado de risco. Na Amazônia, a exposição ao mercúrio (Hg) configura-se como um fator ambiental crítico, uma vez que esse metal tóxico apresenta capacidade de biomagnificação na cadeia alimentar, afetando populações que dependem do consumo de peixes contaminados. Nesse sentido, a investigação da relação entre SM, exposição ao Hg e polimorfismos no gene FTO apresenta grande relevância científica. Mulheres em idade fértil, bem como populações ribeirinhas e indígenas, são consideradas grupos vulneráveis em função da dieta rica em pescado contaminado com Hg decorrente de atividades garimpeiras, o que fornece um contexto adequado para a compreensão aprofundada dessa interação gene-ambiente. Diante desse cenário, o objetivo geral da pesquisa foi avaliar a relação entre a exposição ao Hg, a presença de polimorfismos no gene FTO e a ocorrência de síndrome metabólica em mulheres em idade fértil residentes em comunidades ribeirinhas de Santarém, Pará. Foram publicados dois artigos de revisão sobre síndrome metabólica e polimorfismos genéticos, sendo um de caráter geral, contemplando diferentes genes, e outro com foco específico no gene FTO. Adicionalmente, encontra-se em elaboração um terceiro artigo com dados primários provenientes de coletas realizadas nos períodos de 2024 e 2025 com populações indígenas do Baixo Tapajós, em Santarém, Pará. Os resultados encontrados reforçam a importância de estudos que integrem fatores genéticos e ambientais, especialmente no contexto da exposição ao Hg, para a compreensão da SM em populações amazônicas. A análise da interação gene-ambiente contribui para o entendimento dos mecanismos envolvidos no adoecimento metabólico e destaca a relevância de abordagens direcionadas à promoção da saúde de grupos vulneráveis da região.