HÁBITOS ALIMENTARES DE GESTANTES AMBIENTALMENTE EXPOSTAS AO MERCÚRIO NO MUNICÍPIO DE SANTARÉM-PA
Mercúrio, Gestantes, Hábitos alimentares.
A exposição ao mercúrio (Hg), especialmente ao metilmercúrio (MeHg), tem sido amplamente investigada na região amazônica em razão da contaminação ambiental e do consumo de pescado. No período gestacional, essa exposição é discutida na literatura científica considerando possíveis implicações para a saúde materna e fetal. Em áreas urbanas da Amazônia, como Santarém (PA), onde o pescado integra os hábitos alimentares, torna-se relevante descrever os padrões alimentares e a distribuição dos níveis de mercúrio em gestantes. Assim, o objetivo deste estudo é descrever os hábitos alimentares de gestantes residentes na zona urbana de Santarém (PA) e examinar a distribuição dos níveis de mercúrio ao longo da gestação. Trata-se de uma pesquisa do tipo observacional, transversal, descritivo e quantitativo, realizado em 2024 em Unidades Básicas de Saúde da zona urbana de Santarém (PA), com 65 gestantes em acompanhamento pré-natal. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado sobre características sociodemográficas e hábitos alimentares, além da análise de sangue e cabelo para determinação do mercúrio total pelo método DMA-80. Os níveis de mercúrio no sangue foram estratificados em quartis. A ingestão estimada de metilmercúrio foi calculada com base em referências internacionais. As análises estatísticas foram descritivas e não paramétricas, adotando nível de significância de 5%. A concentração média de HgT no sangue foi de 3,3 μg/L (DP=3,9), com mediana de 1,7 μg/L e valores variando de 0,0 a 24,9 μg/L. Os níveis medianos de HgT variaram entre as zonas, sendo mais elevados na Zona Sul (2,70 μg/L) e menores na Zona Central (1,12 μg/L). Gestantes do primeiro trimestre apresentaram a maior mediana (5,0 μg/L), e 42,3% apresentaram níveis de HgT acima do recomendado. A quantidade de peixes carnívoros e a variedade de peixes não carnívoros foram correlacionadas com os níveis de HgT no 2º trimestre. Observou-se correlação positiva entre a ingestão estimada de MeHg e os níveis de HgT em sangue e cabelo. Conclui-se que os níveis de HgT superaram o recomendado, sobretudo no primeiro trimestre, período crítico ao desenvolvimento fetal. Este estudo contribuiu para a compreensão dos padrões alimentares locais e seus potenciais impactos na exposição pré-natal ao mercúrio, oferecendo subsídios para ações de saúde pública voltadas à proteção materno-fetal em contextos amazônicos.