EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE NO MANEJO FLORESTAL DA AMAZÔNIA: ESTRATÉGIAS PARA OTIMIZAÇÃO DO APROVEITAMENTO MADEIREIRO
Exploração florestal. Floresta Nacional do Tapajós. Modelagem Volumétrica. Gestão da Produção. Amazônia. Modelo de Efeito Misto. Aprendizagem de máquina.
O desmatamento na Amazônia e a consequente perda de biodiversidade representam um dos principais desafios ambientais contemporâneos, exigindo estratégias que conciliem conservação florestal e uso econômico dos recursos naturais. O manejo florestal sustentável tem sido adotado como uma alternativa para reduzir a pressão sobre o desmatamento, ao permitir a exploração controlada da madeira em florestas nativas. Entretanto, a efetividade dessa estratégia é condicionada à qualidade das estimativas do potencial madeireiro, que apresentam fragilidades, especialmente quando baseadas predominantemente no volume e em estimativas visuais da altura comercial das árvores. Esta tese teve como objetivo avaliar a eficiência do aproveitamento madeireiro em áreas de manejo florestal sustentável na Amazônia, analisando limitações associadas às estimativas volumétricas e à altura comercial, bem como propondo procedimentos metodológicos que contribuam para uma avaliação mais consistente do rendimento da exploração. O estudo foi desenvolvido na Floresta Nacional do Tapajós, com base em dados de inventário florestal 100%, Planos Operacionais Anuais e relatórios pós-exploração de Unidades de Produção Anual manejadas pela Cooperativa Mista da Flona do Tapajós. O primeiro capítulo consistiu em uma revisão de literatura, apoiada por análise bibliométrica, abordando estudos sobre manejo florestal, produtividade e estimativas dendrométricas em florestas tropicais. A análise evidenciou que a produção científica se concentra principalmente no uso do volume como indicador de rendimento, com menor atenção à integração do número de árvores e da altura comercial, bem como à avaliação sistemática do rendimento pós-exploração. No segundo capítulo, realizou-se a análise do rendimento da exploração florestal por meio da comparação entre valores planejados e efetivamente obtidos de volume, número de árvores e altura comercial. Do total de 6.267 árvores selecionadas para corte no Plano Operacional Anual, 5.090 foram efetivamente exploradas, correspondendo a um rendimento de 85% e a uma média de 3,2 árvores ha⁻¹. Embora os volumes planejados e explorados tenham apresentado proximidade, foram identificadas discrepâncias relevantes no número de árvores por espécie e na altura comercial, demonstrando que o volume, quando analisado isoladamente, não representa adequadamente o aproveitamento da exploração madeireira. O terceiro capítulo avaliou métodos para a estimativa da altura comercial a partir da soma dos comprimentos das toras comerciais, comparando modelos lineares com efeitos mistos e a técnica de aprendizagem de máquina Random Forest. Ambos os métodos apresentaram desempenho satisfatório, com coeficientes de determinação superiores a 0,80 e erros relativos inferiores a 15%, sendo observada leve vantagem do modelo linear com efeitos mistos em relação ao Random Forest. Conclui-se que a avaliação do rendimento da exploração florestal na Amazônia deve incorporar, além do volume, variáveis como número de árvores e altura comercial, de modo a reduzir incertezas associadas ao planejamento e à execução do manejo. A utilização de dados pós-exploração e o aprimoramento das estimativas da altura comercial contribuem para melhorar o aproveitamento madeireiro, fortalecer o manejo florestal sustentável e consolidá-lo como uma estratégia efetiva para a redução do desmatamento e a conservação da biodiversidade amazônica.