ATRAVESSAR E SOBREVIVER: TERAPIA DA NATUREZA E POSVENÇÃO NO LUTO POR SUICÍDIO NA AMAZÔNIA ORIENTAL
Contato com a natureza, Processos de enlutamento, Psicoterapia de grupo.
A natureza, mais do que cenário, pode ser reconhecida como parte ativa e integrada do processo terapêutico. Este estudo investiga essa possibilidade na psicoterapia de grupo em contato com a natureza voltada ao cuidado do luto por suicídio, como caminho para atravessar a dor e sobreviver à perda. Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, com caráter exploratório e fundamentada em uma abordagem multimétodos. Tem como objetivo principal analisar as contribuições da psicoterapia de grupo em contato com a natureza no processo de elaboração da perda vivida por sobreviventes enlutados por suicídio em Santarém - Pará, cidade localizada na Amazônia Oriental. Especificamente, busca-se identificar como os participantes percebem e se conectam com a natureza; investigar o estado pré e pós-intervenção do processo de luto e averiguar as percepções dos participantes sobre os efeitos das vivências grupais em ambientes naturais. A pesquisa será conduzida com um grupo de 15 participantes selecionados por conveniência, que tenham vivenciado o luto por suicídio de alguém com quem possuíam vínculo afetivo. O protocolo terapêutico será aplicado em doze encontros semanais, realizados em ambientes naturais da cidade de Santarém (PA), como praias, bosques e a orla. A metodologia inclui entrevistas semiestruturadas, diário de campo, caderno terapêutico e a aplicação da Escala de Inclusão da Natureza no Self (INS) e do Índice de Conexão com a Natureza (ICN), com o intuito de compreender a relação dos participantes com o ambiente natural. Os dados quantitativos serão analisados por estatística descritiva e os dados qualitativos pelo método do Discurso do Sujeito Coletivo. Espera-se que a intervenção favoreça a elaboração do luto, a partir da psicoterapia de grupo em contato com a natureza. O estudo pretende oferecer subsídios para o desenvolvimento de estratégias inovadoras no campo da posvenção, contribuindo para práticas clínicas e políticas públicas sensíveis às singularidades do sofrimento por suicídio.