OPORTUNIDADES MOTORAS NOS CONTEXTO FAMILIAR E EQUOTERAPÊUTICO DE CRIANÇAS COM AUTISMO: ASPECTOS FÍSICO-SOCIAIS, CRENÇAS E PRÁTICAS DE CUIDADO EM CONTATO COM A NATUREZA
Desenvolvimento infantil, Autismo, Controle motor, Desempenho psicomotor, Equoterapia.
O desenvolvimento motor de crianças com autismo envolve desafios que afetam tanto suas habilidades físicas quanto a interação social e emocional. Nesse contexto, os ambientes, as pessoas e as interações que ocorrem em torno delas podem ser agentes promotores ou limitantes a esse desenvolvimento. Apesar do reconhecimento dos benefícios da equoterapia e do contato com a natureza, este interesse fez aflorar no campo científico a necessidade de se estudar os ambientes de cuidado da criança na perspectiva do Nicho do Desenvolvimento, onde ambiente físico e social, as práticas de cuidado comumente adotadas na rotina, além da psicologia dos que cuidam são sistemas que devem ser entendidos de forma integrada e indissociável. Este estudo teve como objetivo analisar as percepções e práticas sobre oportunidades motoras e contato com a natureza em crianças autistas, sob a ótica de pais/cuidadores e terapeutas. Participaram desta pesquisa 5 atores sociais do ambiente familiar e terapêutico de 3 crianças autistas. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e observações empíricas. Em se tratando do ambiente físico e social, foram observados fatores facilitadores e fatores limitantes quanto à vivência de experiências motoras. Embora haja uma clara intenção dos cuidadores em proporcionar contato com ambientes externos, como a praia, a frequência dessas atividades é moderada ou até mesmo baixa. Essa limitação se deve, em grande parte, à rotina intensa e cheia de compromissos, que inclui diversas terapias e atividades escolares. Quanto às práticas parentais, observou-se uma preocupação em dedicar tempo para passeios que propiciem o contato com a natureza, mediante atividades livres e motoras, conforme explicitado nas falas. Foram encontradas aparentes concordâncias entre a concepção e a prática de alguns atores sociais do contexto domiciliar. A importância de brincar em casa, próximo a árvores, com passarinhos, desenhar e pintar foi destacada, e na prática, a promoção dessas atividades foi claramente observada. Conforme as falas dos pais, as oportunidades motoras foram elencadas como promotoras de equilíbrio, de interação com os colegas, e que a criança gosta de brincar ao ar livre. No ambiente familiar, a liberdade de exploração e o afeto dos cuidadores são facilitadores essenciais, embora momentos de sensibilidade das crianças possam impactar o engajamento. No ambiente terapêutico da equoterapia, a estrutura das atividades e a expertise profissional são poderosos facilitadores, direcionando ganhos em habilidades motoras, comunicativas e socioemocionais. Contudo, a intensidade da rotina terapêutica e a necessidade de transferir o aprendizado para o dia a dia familiar representa desafios contínuos. Por fim, constatou-se que o modelo teórico utilizado como subsídio para se investigar essa temática, possibilitou averiguar elementos relacionados ao desenvolvimento motor da criança e como a brincadeira é parte do processo desenvolvimental das crianças autistas pesquisadas.