Banca de DEFESA: MAIARA SILVANA SALGADO BATISTA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MAIARA SILVANA SALGADO BATISTA
DATA : 14/12/2019
HORA: 09:00
LOCAL: sala 319- unidade Amazônia
TÍTULO:

Exposição ao Mercúrio em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo no município de Santarém, Pará.


PALAVRAS-CHAVES:

Autismo, crianças,  mercúrio , Neurotoxidade, exposição ambiental.


PÁGINAS: 60
RESUMO:

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) configura-se como uma alteração neurológica presente desde o início da infância, acarretando déficits nas áreas de interação social, comunicação e linguagem. Apresenta etiologia ainda desconhecida, porém várias linhas de pesquisas já indicam que fatores genéticos, ambientais e imunológicos podem desempenhar um papel importante na patogênese do TEA, sugerindo uma forte correlação entre a exposição ao mercúrio (Hg) e o autismo. O Hg é um metal pesado altamente neurotóxico, sendo sua forma orgânica, o Metilmercúrio (MeHg), o mais tóxico e mais comum encontrado no meio ambiente e na cadeia alimentar aquática, sendo incorporado ao organismo humano através do consumo do peixe contaminado. As sequelas causadas pela exposição ao Hg se assemelham as disfunções neurológicas encontradas no TEA. Sabe-se que na Amazônia, por seu histórico de garimpagem e desmatamento, a exposição ao Hg é considerada crônica, tornando-se importantes as pesquisas que investigam a relação entre exposição ao mercúrio e o transtorno do espectro do autismo nessa região. Portanto, esse estudo teve como objetivo investigar a relação entre a exposição ao Hg e o Transtorno do Espectro do Autismo no município de Santarém, Pará. Participaram do estudo 23 mães e 25 crianças com diagnóstico clínico de TEA assistidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais APAE e Casa azul. A análise do Hg total foi realizada através do sangue dessas crianças bem como das mães, para se investigar as possíveis fontes de exposição e acúmulo do Hg, além de outros tópicos relacionados ao período pré, peri e pós-natal capazes de interferir no diagnóstico do TEA. Foi aplicada uma entrevista semiestruturada as mães. Para a avaliação do perfil e grau de autismo (leve ou moderado e severo) foi aplicada a Escala de Avaliação do Autismo - Childhood Autism Rating Scale (CARS). As variáveis desse estudo foram avaliadas através da estatística descritiva e inferencial. Na análise descritiva, observou-se que 95% das crianças eram do gênero masculino, 56% delas encaixaram-se na faixa de “não-autista” segundo a classificação da CARS, 68% apresentaram baixo consumo de peixe e 52% foram classificadas como expostas, ou seja, com níveis de Hg acima de 10 µg/L. Na análise inferencial, primeiramente verificou-se a normalidade através do teste Shapiro-Wilk. Para análise de distribuição de frequências e associação foram utilizados os testes de Qui-quadrado de aderência e contingêcia (linhas x colunas), onde se observou diferença estatisticamente significativa entre a classificação entre mães expostas e não expostas (p=0,0371), gênero das crianças (p< 0,0001) e a classificação em relação ao grau do TEA (p=0,0424). Para comparação entre as medianas, foi utilizado o teste Mann-Whitney. Para avaliar a relação das variáveis idades e frequência do consumo de peixe com os níveis de Hg foi aplicado o teste de Correlação de Spearman. Em ambos os testes, utilizou-se nível de significância de 5%. Os testes foram realizados no programa BioEstat. Observou-se que não houve associação e nem correlação positiva entre as variáveis: dade, gênero, frequência de consumo de peixe e uso de medicamentos das crianças com o nível de Hg no sangue, mostrando que mesmo com a baixa frequência do consumo de peixe as crianças apresentavam níveis de Hg elevados e que esses níveis elevados não exercem uma correlação linear e positiva com o grau do TEA. Assim, conclui-se que há necessidade de mais estudos envolvendo essa temática a fim de esclarecer melhor a relação entre o Hg e o TEA, principalmente o que diz respeito à ação nos sistemas nervoso e imunológico da criança e a sua relação os mecanismos genéticos. Deve-se também levar em consideração as dificuldades encontradas durante a coleta e adesão das mães para o estudo, o que não permitiu um tamanho amostral maior para pesquisa.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2142681 - BRUNO APOLO MIRANDA FIGUEIRA
Interno - 1562643 - MAXWELL BARBOSA DE SANTANA
Externa à Instituição - SILVANIA YUKIKO LINS TAKANASHI - UEPA
Notícia cadastrada em: 11/12/2019 10:43
SIGAA | Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação - (00) 0000-0000 | Copyright © 2006-2020 - UFRN - srvapp2.ufopa.edu.br.srv2inst1